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20/12/2005

Indústria de grandes navios renasce no país

Logística

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O governo federal está concretizando a maior encomenda de navios feita até hoje à indústria naval brasileira.

A Petrobrás Transporte S.A. (Transpetro) recebe, no dia 28 de dezembro, os envelopes com as propostas dos oito participantes da licitação para a construção dos primeiros 26 petroleiros do Programa de Modernização e Expansão da Frota.

A iniciativa é estratégica porque representa o renascimento da indústria de grandes navios no país e equivale a um terço de todos as embarcações que o Sistema Petrobras já teve até hoje. Nessa primeira fase, o processo vai gerar 22 mil empregos. A expectativa é de que os contratos para o início das obras sejam assinados até março de 2006 e que as primeiras embarcações já estejam navegando no final do próximo ano.

Segundo o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o programa representa uma mudança de paradigma na indústria de grandes navios, que há 20 anos não realizava encomendas. A partir de uma encomenda de grande porte, segundo ele, será possível aos estaleiros investir em modernização tecnológica e se tornarem competitivos internacionalmente.

Machado lembra que a indústria de grandes navios já foi forte no país na década de 70, chegando a ocupar o segundo lugar no ranking mundial. A partir daí, passou por um processo de estagnação, que começou a ser revertido na década de 90, com a produção de plataformas e barcos de apoio.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar até 90% dos custos necessários à construção dos primeiros navios. Os recursos são do Fundo de Marinha Mercante, do Ministério dos Transportes. O prazo de Amortização é de 20 anos e os juros são de 4% ao ano.

Atualmente, dos 120 navios petroleiros usados pela Petrobrás, mais de 70 são fretados. Com o programa, a Transpetro espera reduzir essa dependência.

Programa de Modernização e Expansão da Frota

O Programa de Expansão e Modernização da Frota vai gerar 22 mil empregos na fase de construção dos navios. As premissas são de que todos os navios sejam construídos no Brasil e que pelo menos 65% de seus componentes sejam nacionais e os estaleiros se tornem competitivos internacionalmente. Serão utilizadas 290 mil toneladas de aço, 125 mil toneladas de tubos, mais de 6 milhões de litros e tintas e 2.200 quilômetros de cabos elétricos.

O processo promove ainda um aquecimento nos setores industriais que vão oferecer peças e insumos para os estaleiros, como o metalúrgico, o siderúrgico, o químico e o de instalações elétricas, por exemplo. Os navios encomendados são dos tipos Suezmax (dez unidades), Aframax (cinco unidades), Panamax (quatro), Produtos (quatro) e GLPs (três).

A característica do programa é a quebra de paradigma da indústria de grandes navios. No passado, o Brasil, construía apenas dois ou três navios de cada vez. Com a encomenda de 26 embarcações de uma só vez e de mais 16 em seguida, os estaleiros podem fazer os investimentos necessários em modernização, porque terão demanda para produzir em escala. E somente essa produção em escala é que garantirá que eles sejam competitivos em nível internacional em relação a preços, prazos e qualidade.

Segundo o presidente da Transpetro, o programa é inovador porque foi estruturado com a participação de diversos segmentos da sociedade, unindo o Sistema Petrobrás, a comunidade acadêmica, o governo, os estaleiros e representantes de sindicatos de petroleiros, marítimos e metalúrgicos.

Renascimento da indústria

A indústria brasileira de construção de navios já foi a segunda maior do mundo, gerando mais de 40 mil empregos e exportando para países como a Inglaterra, França, Alemanha, Grécia e Estados Unidos. Mas entrou em declínio no final da década de 80 e foi praticamente extinta em 1996. O último navio de grande porte fabricado no Brasil foi o Livramento, encomendado em 1987, entregue em 1996 e incorporado à frota em 1997.

Hoje, a Coréia tornou-se a maior fabricante mundial de grandes embarcações, seguida por Japão e China. Os três países concentram 89% da produção mundial, um mercado que fabrica por ano mais de 1.100 navios, com uma carteira superior a 4.700 navios e suas instalações ocupadas pelos próximos quatro anos.

Nesse período, os grandes construtores investiram continuamente em tecnologia e hoje estão entrando na quinta geração tecnológica, que tem quatro características principais: montagem em dique seco, capacidade de movimentação de grandes peças, processo automatizado de corte do aço e utilização intensiva de recursos de informática. Os estaleiros funcionam com linhas de montagem e unidades integradas, o que garante prazos de construção entre oito e 12 meses.

No Brasil, a indústria naval começou a se reerguer no ano 2000, impulsionada pelas encomendas para o offshore da Petrobrás, que continua sendo a principal cliente do setor. Essa recuperação, entretanto, ainda não tinha chegado ao segmento de construção de grandes navios. Com o Programa de Modernização e Expansão da Frota, o governo federal está criando oportunidade para o renascimento do setor.

Empresas da Licitação

As empresas que participam da licitação são as seguintes:

Rio de Janeiro - RJ

· Consórcio Rio Naval – Sermetal-Ivi (Brasil-RJ), IESA (Brasil-RJ), MPE (Brasil-RJ) e Hyunday (Coréia)
· EISA Montagem (Brasil/RJ), STX (Coréia)

Niterói - RJ
· Mauá Jurong (Brasil), Maric CSSC (China)

Angra dos Reis - RJ
· Brasfel (Brasil), Keppels Fels (Cingapura) e Daewoo (Coréia)

Recife - PE
· Camargo Corrêa (Brasil), Andrade Gutierrez (Brasil) e Mitsui (Japão)

Rio Grande - RS
· Consórcio Rio Grande – Aker Promar (Brasil), Queiroz Galvão (Brasil), Aker (Noruega) e Samsung (Coréia)
· Estaleiro Rio Grande (Brasil-RS) e Ishikawajima (Japão)

Itajaí – Santa Catarina
· Estaleiro Itajaí

 

Por emquestao@secom.planalto.gov.br

 

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