O Ministério Público considerou que o consumidor estava sendo prejudicado com o fim da distribuição gratuita de sacolas plásticas e pediu o encerramento do acordo que barrava as sacolinhas.

Em São Paulo, a polêmica está de volta aos supermercados. As sacolinhas plásticas voltaram.
A situação ficou bem confusa, já que o Ministério Público considerou que o consumidor estava sendo prejudicado com o fim da distribuição gratuita de sacolas plásticas e pediu o encerramento do acordo que barrava as sacolinhas. Por isso, alguns supermercados voltaram a distribuí-las. Mas, nas grandes redes elas continuam banidas. O consumidor ainda não sabe muito bem o que fazer.
Para muitos consumidores, elas viraram um hábito. As sacolas retornáveis já entram no supermercado dentro do carrinho.
“Não sou de São Paulo. Minha filha está morando aqui, nas minhas visitas eu aprendi com ela e estou usando esse hábito. Acho que vale a pena, acho que isso que a gente tem que fazer mesmo”, comenta a professora Regina Salomão.
Mas, na semana passada, as sacolinhas de plástico voltaram a virar assunto em São Paulo. Para o Ministério Público, o consumidor ficou em desvantagem tendo que pagar pelas sacolas para proteger o meio ambiente. A OAB tem a mesma opinião.
“Os fornecedores têm que disponibilizar meios adequados, sejam eles sacolas plásticas, sacolas de papel ou as sacolas ecologicamente corretas”, afirma José Eduardo Tavolieri de Oliveira, presidente da Comissão de Direito de Relações de Consumo, da OAB-SP.
Em meio a tanta discussão, um supermercado decidiu agradar todo mundo. Ele voltou a distribuir as sacolinhas e continua vendendo as sacolas retornáveis, a R$ 2,98. Agora cabe a cada consumidor decidir como vai levar as compras para casa.
Com elas ali, tão disponíveis, teve gente que acabou aproveitando. Mas alguns resistiram à prova.
“Poderia ter mantido do jeito que estava. A gente já estava se habituando”, garante uma consumidora.
“Eu acho que contribui para você evitar prejudicar o meio ambiente e é uma forma de contribuir como um todo”, diz um cliente.
Adilson Fukuda acabou levando as sacolinhas como um complemento. “Eu trouxe as retornáveis e eu achava que se não desse, teria alguma caixa de papelão, mas como tem, vou aproveitando”, aponta o engenheiro.
Mas, no caixa ao lado, o cliente não abriu mão. Ele preferiu comprar mais uma sacola retornável para levar o restante da compras. “Você paga uma vez e vai usar quanto tempo? Um ano, um ano e meio. Me parece um bom investimento”, comenta o advogado Ivan Fernandes de Cunha.
Mas para muitos consumidores, pagar pela sacola não é a melhor opção. “Além de gastar no mercado, ter que comprar a sacolinha. Eu acho que é um absurdo isso aí”, diz um consumidor.
Está todo mundo tão confuso que até aquela dica, de ouvir a opinião dos mais velhos, acaba criando polêmica.
“Meu netinho, de 33 anos, também não vai pegar. Ele diz que é para não poluir o ambiente. A avó dele está pegando”, conta a aposentada Leonor Queiroz de Mesquita.
“Eu pus até um bilhete lá em casa para mim: ‘Vai ao mercado, não esqueça a sacola’”, conta a dona de casa Neide Francisco.
Nesta segunda-feira (25), a Associação Paulista dos Supermercados deve apresentar ao Ministério Público e ao Procon cinco propostas para evitar a distribuição das sacolinhas plásticas. Uma delas propõe que o consumidor compre sacolas feitas de material reciclado por preços entre R$ 0,07 e R$ 0,25. Mas, ele ganha um vale no mesmo valor para usar na próxima compra, caso traga a sacola de volta.