Empresas japonesas podem instalar centros de pesquisa no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-Tec), conforme expectativa do prefeito da Capital, Fernando Pimentel.
Ontem, representantes de 15 conglomerados nipônicos participaram de uma missão que visitou a cidade e conheceu o projeto do parque.
Dentre os membros da missão, estavam executivos de grupos que já possuem negócios em Minas ou que estão se instalando no Estado, como a Nippon Steel, acionista da Usiminas, e a Sumitomo Metals, que está realizando uma joint venture com a francesa Vallourec para construir uma usina de tubos sem costura com investimentos estimados em US$ 1,6 bilhão.
Para o prefeito, apesar de o BH-Tec ter vocação para as áreas de tecnologia da informação e biotecnologia, nada impede que as siderúrgicas proponham a criação de centros de pesquisas no local, o que seria vantajoso por estar próximo de outros empreendimentos dos grupos. "Estamos otimistas e achamos que pode sair algum investimento dessa visita", afirmou.
Para o diretor-presidente do Japan External Trade Organization (Jetro), órgão ligado ao governo japonês que organizou a missão, Yuji Watanabe, ainda é cedo para definir se grupos japoneses irão de instalar no parque tecnológico. Entretanto, há potencial, especialmente para os setores de alta tecnologia, como os segmentos de informática e farmacêutico. "Por enquanto tivemos apenas uma idéia do projeto", avaliou.
Segundo ele, as empresas japonesas possuem hoje uma estratégia de expansão global e Minas é um forte candidato a receber investimentos. "Já temos um bom relacionamento com o Estado e os empresários japoneses estão muito interessados em investir no Brasil. Hoje, o Brasil é o país mais interessante dentre os Brics", disse.
De acordo com o presidente do BH-Tec, Clélio Campolina Diniz, nenhuma negociação com os japoneses deve ser concretizada no curto prazo. Segundo ele, os nipônicos têm uma longa tradição de realizar muitas prospecções antes de se decidirem sobre investimentos. " um processo lento, mas que pode gerar frutos", disse.
Atualmente, as negociações com empresas que pretendem se instalar no BH-Tec ainda não estão fechadas. A administração já havia informado que cerca de 30 empresas já demonstratram interesse em negociar a instalação no centro tecnológico. Além desses, outros 40 empreendimentos da área de tecnologia da informação (TI) - todos de pequeno e médio porte - já querem montar as sedes no parque, conforme a Sociedade Mineira de Software (Fumsoft).
Infra-estrutura - A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) já investiu cerca de R$ 5 milhões no BH-Tec em ações de infra-estrutura, como construção de redes de abastecimento de água, esgoto, energia elétrica e a revitalização do córrego do Mergulhão. As obras terminaram em dezembro do ano passado.
A parte do governo estadual, que deveria custar cerca de R$ 6,5 milhões foi ampliada e deverá ser de aproximadamente R$ 12 milhões. A obra corresponde a construção da sede institucional do empreendimento, incluindo um condomínio para empresas recém-saídas de incubadoras. O edital de licitação ainda não tem data para sair.
A iniciativa para a criação do BH-Tec é uma ação conjunta da PBH e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - que cedeu um terreno de 535 mil metros quadrados para o empreendimento -, em parceria com o governo de Minas, com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae-MG). A previsão é que o parque crie cerca de 20 mil empregos em dez anos, a conclusão total do projeto deverá ocorrer até 2014.