A Case New Holland (CNH), do Grupo Fiat, vai transformar o município de Sorocaba (SP) em base global de exportações de peças, máquinas agrícolas e também maquinário voltado à construção civil.
É a primeira unidade do grupo com esse perfil no mundo, segundo a empresa.
Para o novo status, a fábrica do grupo localizada no município, desativada desde 2001, voltará a produzir no próximo ano. Também será construído em Sorocaba um centro de distribuição de 60 mil metros quadrados. A nova central substituirá a que fica atualmente em Itu (SP).
A CNH apresentou na quinta-feira os detalhes do projeto de reativação da unidade. A reativação consumirá investimento de R$ 987 milhões, montante que já inclui R$ 150 milhões para capital de giro. As obras civis receberão aporte de R$ 310 milhões. A reativação da fábrica estava na programação de investimentos do Grupo Fiat para o período 2007-2010.
A planta produzirá apenas máquinas da linha Case. A empresa não revelou que tipo de máquina será produzido em Sorocaba, mas afirmou que não serão feitas na cidade a linha de máquinas voltadas às plantações de cana-de-açúcar, concentradas na fábrica de Piracicaba (SP), e os tratores.
Não será uma simples reativação da unidade, segundo o presidente da Case New Holland para a América Latina e vice-presidente do Grupo Fiat, Valentino Rizzioli. A planta, que empregava 600 pessoas em 2001 e de onde saíam 500 máquinas por ano, passará a ter 1.200 empregados. Sua capacidade instalada será elevada para 8 mil unidades anuais.
"Aquele era um momento muito difícil no Brasil", disse Rizzioli sobre a situação do mercado de máquinas quando a unidade foi fechada. "Mas sabíamos que, de uma forma ou outra, o mercado ia se recuperar. Com a capacidade de sua economia, o Brasil não podia ficar nos níveis em que estava, que eram extremamente baixos". Em 2001, ano de fechamento da planta, foram produzidas 44,3 mil máquinas agrícolas no país. O volume é praticamente a metade das 85 mil unidades que o setor prevê produzir em 2008, segundo a projeção mais recente feita pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
A capacidade instalada da renascida unidade da CNH será de 8 mil máquinas, mas a previsão é de que serão fabricadas 4,5 mil unidades em 2010. Dois terços desse volume será de máquinas agrícolas, afirmou o diretor de relações externas da empresa, Milton Rego. O restante será de maquinário voltado à construção civil. Com a retomada da planta, a capacidade total das quatro unidades da CNH no Brasil, que é atualmente de 28 mil máquinas, crescerá quase 30%.
Como será também uma central de distribuição de peças para as outras unidades, a perspectiva é que as demais fábricas também elevarão sua produção, diz Rizzioli. A CNH tem plantas também em Curitiba e Contagem (MG).