A ZF vai definir em dois meses se construirá uma nova fábrica no Brasil ou ampliará as instalações da sua principal unidade de Sorocaba, no interior de São Paulo.
Em razão do bom desempenho no mercado brasileiro e da perspectiva de elevar os negócios no exterior, a empresa decidiu estender seus investimentos no Brasil até 2011 - a programação anterior era até 2010 - e ampliar o montante a ser liberado, de R$ 540 milhões para R$ 680 milhões.
É o maior programa de investimentos da companhia na América do Sul. "Vamos aumentar o valor dos investimentos porque o volume de pedidos no mercado brasileiro cresceu muito neste ano", disse Wilson Bricio, presidente da ZF na América Sul.
Do total programado para o período, R$ 70 milhões já foram gastos em 2007. "Neste ano vamos utilizar R$ 300 milhões e o restante em 2009", comentou Bricio.
A ZF vai destinar 50% dos investimentos na linha de transmissões para veículos comerciais. Neste ano a empresa começa a expandir a produção de transmissões no Brasil. "Até 2012 vamos quadruplicar a quantidade de transmissões em relação a 2006, quando foram produzidas 35 mil unidades (de modelos manuais e automáticas)", disse Bricio. Os recursos virão do Brasil, mas a empresa ainda avalia as melhores condições para este investimento.
Com maior produção, a empresa também elevará o número de funcionários, com a contratação de mais 1.000 pessoas até 2010. De 4 mil, o total de empregados subirá para 5 mil. Para o mercado de veículos comerciais leves (picapes e vans) a ZF está desenvolvendo novo modelo de transmissões.
A estimativa da empresa é de produzir 85 mil unidades deste componente a partir de 2009. Para o mercado de caminhões prevê produzir 35 mil unidades. Segundo Bricio, para ser competitivo no mercado brasileiro e manter os volumes de acordo com a demanda dos clientes no País, o grupo ZF na Alemanha elegeu o Brasil para instalar o seu segundo centro de desenvolvimento e produção de transmissões. "Vencemos a concorrência das filiais da China e da Rússia por ter maior nível de qualidade tecnológica e a Hungria por garantir entrega em prazo menor", disse o presidente da ZF.
Com essa decisão da matriz, o novo sistema de transmissão, que hoje equipa os caminhões Stralis da Iveco, e Constellation da Volkswagen, que hoje é importado da Alemanha, passará a ser feito no País. A meta da empresa é que este componente tenha 80% de contéudo nacional até o final deste ano.
Com expressiva participação no mercado brasileiro de caminhões e ônibus, a ZF do Brasil já registrou um crescimento de 25% dos seus negócios no primeiro semestre e a previsão de Bricio é fechar 2008 com uma expansão de 30%.
No mercado externo a ZF também está elevando sua participação. Em 2007 as exportações contribuíram com 19% ao faturamento da empresa, que foi de R$ 1,5 bilhão. Para 2012, a previsão de Bricio é que as vendas externas tenham 29% de participação no resultado da empresa. "Estamos conseguindo aumentar as exportações, mesmo com a desvantagem do dólar, após ter investido R$ 10 milhões nas fábricas de São Bernardo do Campo (SP) e de Sorocaba, interior paulista, para aumentar a produtividade", destacou o presidente da ZF na América do Sul. "Remodelamos as unidades de produção, passamos a utilizar novos processos e reduzimos a idade média dos equipamentos para aumentar o ritmo de produção". No exterior a ZF tem contrato fechado com a China, Rússia, Oriente Médio, Europa e Estados Unidos.
Bricio comentou que as bases de confiança que a companhia tem no Brasil a faz ter um crescimento sustentado, mesmo com a perspectiva de redução no crescimento do mercado europeu.
Diante de um cenário positivo para os negócios no Brasil e no exterior, a empresa projeta um salto no faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2006 para R$ 2,4 bilhões em 2012, quantia muito superior ao projetado no final do ano passado, que era de faturar R$ 1,9 bilhão nos próximos quatro anos.
Sobre as exportações a previsão de Bricio é que a América do Sul tenha grande participação nos resultados da ZF, com a Argentina garantindo a expansão na região. De 24% que absorve hoje, a América do Sul crescerá 37% em 2010.