O lançamento do jipe Grand Vitara ontem em Mairiporã (SP) marcou a volta da Suzuki ao Brasil. A marca japonesa, que estava cinco anos fora do mercado nacional, será representada pela sócia nacional SVB Automóveis do Brasil.
A partir de outubro, a empresa estréia com dez concessionárias e um centro de distribuição de autopeças em Catalão (GO). A empresa pretende mostrar no Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, no Anhembi, o próximo carro que importará do Japão para o Brasil - o Omni.
O presidente da SVB, Alexandre Camara, afirmou que a empresa tem planos de construir uma fábrica no País. Ele disse que idéia será amadurecida nos próximos dois anos de montagem de uma rede de distribuição e revendas no País. O objetivo é que a empresa alcance vendas mensais de 600 veículos com 30 pontos de vendas até o final do ano que vem na maioria dos estados. A empresa representante da Suzuki tem sociedade de Eduardo Souza Ramos, que também tem participação na Mitsubishi.
Camara, empresário do varejo de roupas no Rio de Janeiro, não revelou quanto está sendo investido para trazer de volta a Suzuki,nem tão pouco quanto os sócios estariam dispostos a colocar na construção de uma nova fábrica. "Por enquanto, estamos estudando a possibilidade de levar a Suzuki para Goiás, mas a cidade ainda não está definida", afirmou.
Apresentado a preços que variam de R$ 89,7 mil (câmbio manual) e R$ 94,2 mil (automático), o Grand Vitara terá de conviver com uma situação inusitada no Brasil. Isso porque a General Motors vende o mesmo carro com a marca Chevrolet e o nome Tracker - segunda geração do Grand Vitara. O Tracker é montado na fábrica da GM na Argentina, com peças importadas do Japão. A Suzuki competirá com carro de sua própria produção com a diferença de que o Grand Vitara é mais atualizado, na 3ª geração.
A GM detém 3% de participação na Suzuki. O Tracker é vendido no Brasil por cerca de R$ 65 mil e não paga o imposto de importação de 35% como o Grand Vitara. O Tracker vem de Rosario, na Argentina, país com o qual o Brasil tem acordo para o livre comércio. Camara não sabe por quanto tempo a GM continuará vendendo o Tracker tampouco sabe qual é o acordo entre GM e Suzuki. "A nossa missão é vender o Grand Tracker e outros produtos que virão", afirmou.
De acordo com o empresário, a Suzuki deixou o Brasil em 2003 num instante de desajuste cambial, quando o dólar chegou perto dos R$ 4. Para o presidente da SVB, faltou, naquele instante, um sócio nacional que ajudasse os japoneses a compreender o cenário desfavorável e, quem sabe, impedir a saída. Agora com um mercado perto de 3 milhões de unidades, o Brasil volta a ser importante para a Suzuki.
Para Camara, a saída da Suzuki em 2003, que ficou11 anos no Brasil, não causou prejuízos à marca. Para ele, o consumidor brasileiro vê na Suzuki uma empresa confiável, com produtos jovens e inovadores. Por isso, a estratégia de resgatar a marca, que atua em 181 países. Desde o lançamento em 1988, o Grand Vitara já vendeu 2,4 milhões de unidades em vários países, principalmente Estados Unidos e Europa.
A SVB vai prestar assistência técnica também para os carros da marca que ainda rodam pelo País. A empresa já tem escritório em São Paulo e 60 pessoas contratadas neste reinício embrionário. Sâo Paulo terá quatro concessionárias. Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Recife, João Pessoa e Rio de Janeiro estão entre as revendas de estréia.
O centro de distribuição está numa área de 2 mil m2 próximo a Mitsubishi, em Catalão. Especula-se que há possibilidade de a Mitsubishi comprar a participação dos sócios brasileiros. A aproximação com a Suzuki seria uma saída para que os brasileiros não fiquem sem companhia, caso a Mitsubishi resolva mesmo desmanchar o casamento.