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28/9/2008

Suzuki vê sua última chance no Brasil

Empresas

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Incumbido de relançar no Brasil os carros da montadora japonesa Suzuki, o empresário Alexandre Câmara, 46, afirma que esta é a última oportunidade para a marca fincar os pés no país, justamente em um contexto em que os desafios parecem maiores.

O retorno da Suzuki é marcado por um momento de acelerada valorização do dólar, fator que acabou por inviabilizar as operações da empresa no Brasil em 2003, e pelo início de desaceleração nas vendas de veículos no mercado interno.

"Desta vez, voltamos para ficar", diz Câmara, que irá lançar em outubro o Grand Vitara. A Suzuki Veículos do Brasil prepara-se para vender 600 carros por mês em 2009, quando sua rede de concessionárias já estiver formada. Dono da Uncle K, marca de bolsas e acessórios femininos, Câmara, formado em design industrial, acabou no comando da Suzuki no Brasil mais por conta de seu interesse pelo automobilismo do que pela experiência no setor. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à Folha.

FOLHA - As vendas de veículos já começaram a se desacelerar. Isso não é motivo de preocupação, em um momento em que o sr. quer disputar o mercado no país?

ALEXANDRE CÂMARA - Fala-se muito nisso, mas o mercado de veículos não se desacelerou ainda. Se você olhar para o número deste mês, verá uma estabilidade. Vamos ter um quadro mais claro daqui a dois ou três meses. O importante é que o mercado está muito consolidado, especialmente por conta do crédito. Não vemos catástrofe.

FOLHA - Como o sr. vê a valorização do dólar, já que foi justamente esse o problema que tirou a Suzuki do mercado, em 2003?

CÂMARA - Nós não teremos uma terceira oportunidade no Brasil. Desta vez, voltamos para ficar. E não viemos por causa do câmbio. O mercado de SUVs [utilitários esportivos] é um dos que mais crescem. E a Suzuki tem esse produto. O Grand Vitara [que será lançado no país em outubro] é um dos SUVs mais vendidos no mundo. A indústria automotiva está trazendo uma série de modelos novos. Esse é o momento para a Suzuki retomar suas operações.

FOLHA - O sr. teme que o aprofundamento da crise nos mercados mundiais possa afetar o Brasil de forma mais aguda?

CÂMARA - Olha, dirijo empresas já há 20 anos. O empresariado está acostumado com turbulências, e essa não é a primeira crise. Estamos vivendo um momento em que o mercado está nervoso. Mas o Brasil está mais sólido. É claro que esse abalo que se passa no mundo será sentido aqui. Quando uma economia como a norte-americana balança, sempre haverá um respingo. Mas esse balanço não será sentido tão fortemente aqui.

FOLHA - Como foi a negociação com os japoneses para a Suzuki voltar para o país?

CÂMARA - A Suzuki ficou no Brasil de 1992 a 2003. Eles estavam buscando um parceiro para voltar ao Brasil, que é o sexto maior mercado de veículos do mundo. É um mercado pelo qual todos se interessam. A Suzuki está bem consolidada no mundo. A empresa conseguiu escapar da crise que bateu em outras grandes montadoras. Ela está bem posicionada, com um plano forte de expansão. No ano passado, as vendas cresceram 7% na Europa e 16% nos Estados Unidos.

FOLHA - Qual é o investimento para a abertura das operações?

CÂMARA - Não divulgamos o valor dos investimentos. Mas já estamos trabalhando nisso há um ano. Atuamos como uma importadora. O investimento na distribuição ficará por conta dos concessionários. Nosso papel é investir em marketing e na importação e nacionalização dos carros. Estamos montando um centro de distribuição em Goiás, onde será nossa base. É lá que vamos receber os carros e adaptá-los para as normas brasileiras.

FOLHA - O sr. presidia a Uncle K, empresa do setor de acessórios femininos. Como é a transição do mercado de moda para o automotivo?

CÂMARA - Toquei a Uncle K por 12 anos. Sempre fui empreendedor, tive outros negócios, como gráfica e fábrica de móveis, geralmente ligados a design. Recebi o convite do Eduardo [Souza Ramos, acionista da Suzuki] para trabalhar na operação brasileira da montadora. Sou um apaixonado por carros. Nós nos aproximamos por conta do interesse por automobilismo, que pratico desde moleque. Sei que o setor automotivo é mais complexo do que o mercado de moda, porque envolve vários aspectos, como questões ambientais. Ainda assim, olho muito para o produto, gosto de pensar na estratégia de comercialização. E, aí, o princípio é o mesmo.

 

Por Folha de São Paulo

 

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