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15/6/2012

O auge da grande recessão

Artigos / Entrevistas

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No mesmo mês em que ficou patente a virada negativa do PIB brasileiro, para menos de 3% de expansão este ano, o Banco Mundial também publica sua revisão do PIB global em 2012.

Agora o Banco está prevendo que o mundo fique em 2,5% de crescimento, o que contraria as fabulações do economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, que tem se especializado em soltar prognósticos otimistas, em nome da desgastada instituição em que trabalha.

Economistas podem errar e erram muito. Mas a novidade é a insistência no equívoco de projetarem uma recuperação em cada próxima esquina, como se a inversão do estado de debilidade mundial pudesse ser determinada por meras políticas de acomodação, como as sucessivas emissões trilionárias de dinheiro.

O mundo das preguiçosas entidades multilaterais está começando a reconhecer a extensão da fenomenal tragédia em que nos metemos, que está longe de ser só grega.

Até a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, há muito deixou de lado os cuidados verbais para fazer sucessivos alertas sobre o nível de fragilidade e de exposição da economia global, vulnerabilizada pelo efeito-dominó de passivos acumulados e ainda pendurados no sistema bancário da maioria dos países e que requer um tratamento distinto da mera rolagem de vencimentos.

A operação de LTROs do Banco Central Europeu, que rolou dívidas bancárias europeias por três anos à frente, apesar do volume astronômico da operação - da ordem de €1 trilhão - não foi suficiente nem para acalmar os mercados, num claro sinal de que estamos diante de uma inevitável reestruturação de passivos em escala babilônica, para a qual as instituições políticas das regiões afetadas ainda não estão preparadas.

Falta um arcabouço jurídico para assinalar custos tributários e prejuízos a populações que não votam nas mesmas jurisdições, embora tenham seu bem-estar ameaçado pelas contas vencidas dos seus vizinhos.

Assim se sentem os alemães, embora não descontem o fato de terem na debilidade do euro a arma secreta com a qual garantem competitividade e empregos para sua população. Falta a arquitetura política que sedimentará o pacto de ajuda mútua que tentam empurrar sobre os ombros largos dos alemães.

Quanto tempo vai demorar a grande recessão? Se fosse pela medida de anos decorridos desde o início da crise, em 2008, conforme extensa pesquisa de K. Rogoff e Carmen Rheinhart, a barrigada da depressão econômica deveria estar caminhando para seu final.

Mas esse reencontro com a prosperidade ainda parece longe de acontecer. Na melhor da hipóteses, podemos colocar mais dois anos conturbados e talvez terríveis.

Nossa previsão, feita no ano passado, sobre a continuidade da grande recessão por mais dois anos, 2012 e 2013, tende a se confirmar. O Brasil vai precisar de um realinhamento múltiplo de sua política econômica se quiser melhorar o desempenho da economia produtiva.

O PIB acumulado nos anos de governo Dilma vai ficar parecido com os piores momentos da era FHC, quando tivemos que lidar com sucessivas crises de menor porte, mas que atingiram o casco do nosso navio em cheio.

Temos tido muito mais sorte até aqui. Mas não conseguimos capitalizar essa sorte em nosso favor, buscando mais investimentos pela simplificação do pandemônio tributário e burocrático das pátria amada.

Paulo Rabello de Castro é presidente do conselho de economia da Fecomercio e do Lide Economia

 

Por Brasil Econômico - Paulo Rabello de Castro **

 

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