A Claro foi a principal "vencedora" do leilão de licenças da quarta geração de telefonia celular (4G), na avaliação de analistas. Em relatório divulgado ontem, a equipe do BTG Pactual, liderada por Carlos Sequeira, afirmou que, embora o prêmio de 34% embutido nos R$ 845 milhões pagos pela empresa por uma das licenças de 20 Megahertz (Mhz) tenha sido maior do que o mercado esperava, o preço foi pequeno considerando-se o porte da companhia.
Vera Rossi, do Barclays, também afirmou em relatório aos clientes que a Claro é "melhor compradora" de ativos que sua concorrente Vivo, que levou um lote do mesmo porte por R$ 1,05 bilhão, com ágio de 66%.
A analista ressalta, no entanto, que o prêmio mais alto não traz riscos para a Vivo, pois o preço não é significativo para a empresa, que deve ter fluxo de caixa de R$ 4,3 bilhões em 2012 e tem previsão de investimentos de R$ 6,2 bilhões.
Sequeira, do BTG Pactual, ressalta ainda que o prêmio se justifica, pois a licença era estrategicamente importante para a empresa, que poderia perder sua posição de líder no mercado de transmissão de dados do serviço móvel se ficasse apenas com as licenças menores.
Na bolsa, as operadoras encerraram o dia em baixa, frente a valorização de 1,1% do Ibovespa. Refletindo o prêmio mais elevado, as ações preferenciais (sem direito a voto) da Vivo foram as que registraram a maior queda no setor, de 2,6%, para R$ 48,33.
Apesar do recuo, os analistas avaliam que o baixo ágio oferecido pelas operadoras pelos lotes de abrangência nacional eliminou um dos riscos associados às empresas de telefonia listadas e pode trazer algum "alívio" aos papéis. "Podemos ter um pequeno 'rali' das ações, refletindo a dissipação das preocupações dos investidores em relação a ofertas mais agressivas", ressaltou o Bank of America Merrill Lynch (BofA), em relatório.
O prêmio médio de 35,6% oferecido pelas frequências nacionais veio em linha com as expectativas. Os investidores temiam que as empresas fizessem ofertas muito agressivas, reprisando o ágio de 90% do leilão de 3G, em 2008. Havia ainda a possibilidade de entrada de um novo competidor no serviço de voz, o que não ocorreu.
A percepção dos analistas é que o resultado ficou de acordo com os planos das operadoras e que cada uma acabou se encaixando conforme suas estratégias.
As duas maiores licenças, referentes à frequência de 20 megahertz (MHz), foram adquiridas por Vivo e Claro. As outras duas, de 10 MHz, foram compradas por TIM e Oi por R$ 340 milhões e R$ 330,8 milhões, respectivamente.
Quem frustrou as expectativas do BTG foi a Oi. Na opinião do banco, a operadora era a mais bem posicionada para adquirir as maiores licenças, pois tem a melhor estrutura para atender a demanda de cobertura rural que estava embutida nesses lotes. "Acreditamos que a Oi deveria ter arriscado mais", afirmaram os analistas em relatório. As ações preferenciais da empresa caíram 0,5% ontem, para R$ 7,85.
A postura mais conservadora da TIM, que ficou com um lote de 10Mhz, com ágio de 8%, ficou dentro do esperado pelo BTG. "As licenças maiores teriam um custo proibitivo para a TIM, à medida que a companhia não tem estrutura para atender a cobertura rural", afirma em relatório. Os papéis ordinários (com direito a voto) caíram 1,9%, para R$ 10,50.