Após a redução com implantação da lei seca, o número de vítimas dos acidentes de trânsito na cidade do Rio voltou a subir e já contabiliza quase o mesmo número de feridos do período anterior à restrição ao consumo de bebidas alcoólicas para motoristas.
Dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram que logo após a lei entrar em vigor, em 20 de junho, houve uma redução de 21,2% no número de acidentados, mas o número de vítimas subiu nos meses seguintes.
Nos últimos 25 dias, já são 170 pessoas feridas em acidentes. O número é próximo das 198 vítimas registradas 30 dias antes de a lei entrar em vigor. A conclusão foi baseada nos atendimentos prestados pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu) aos acidentados no trânsito. O presidente do Detran-RJ, Sebastião Faria, culpou a falta de fiscalização da Polícia Militar. A Polícia Militar negou a redução na fiscalização.
EM SÃO PAULO
O número de acidentes nas rodovias estaduais paulistas voltou a cair em agosto e setembro deste ano, na comparação com os mesmos períodos do ano passado. Os resultados mais expressivos dizem respeito às ocorrências graves. Em agosto de 2007, 220 pessoas morreram nas estradas estaduais paulistas, ante 179 neste ano - redução de 18,64%. Na comparação entre 1º e 18 de setembro dos dois anos, a redução chega a 36,48% - de 159 no ano passado para 101 no mesmo período deste ano.
Em julho, primeiro mês completo de vigência da lei seca, embora todos os indicadores tivessem caído na comparação com o ano anterior, o número de mortes se manteve praticamente o mesmo (193 em julho de 2007 e 191 no mesmo mês de 2008). "O número de acidentes vinha caindo nas duas primeiras semanas, na ordem de 15%. Eles voltaram a subir por causa de alguns acidentes mais graves que aconteceram, com até três vítimas cada um", disse o tenente Cláudio Ceoloni, da Polícia Rodoviária Estadual (PRE). "Em períodos curtos, de 10, 15 dias, pode haver variações estatísticas enormes. Não consideramos definitivos dados de períodos curtos. Os primeiros dias de setembro foram ótimos, mas os seguintes podem mudar essas estatísticas", ressaltou.
Além da diminuição no número de mortes, outros indicadores também caíram em setembro, na comparação entre os dias 1º e 18 de 2007 e 2008. Embora o número de acidentes sem vítimas tenha apresentado pouca variação (redução de 3,11%, de 2.511 para 2.433), os resultados mais expressivos foram nas ocorrências mais graves. O número de vítimas graves caiu 15,64%, de 518 entre 1 e 18 de setembro de 2007, para 437 no mesmo período deste ano; o de acidentes com vítimas também apresentou queda, de 16,79% (1.477 para 1.229); e o número de vítimas leves diminuiu 18,84% (de 1.667 para 1.353).
Após analisar números de quase três meses de lei seca, a PRE estima que a redução nos acidentes com a vigência da lei seca fique entre 16% e 18%.
Para o presidente da Associação de Vítimas de Trânsito, Salomão Rabinovitch, "ainda não é hora de começarem os festejos". "Não são números, são pessoas que morrem nas estradas. Isso pode melhorar muito quando o investimento for em educação dos motoristas. Ainda acredito que a melhora é pontual e é necessário mais tempo para julgar."