Curitiba- O setor de bares e restaurantes no Paraná sentiu uma forte diminuição da frequência no último mês.
Conforme o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Paraná (Abrasel-PR), Luciano Bartolomeu, em casas noturnas houve uma queda de público de 45%, em média. Bares e restaurantes sentiram menos, de 30% a 40% de queda no movimento. Segundo a associação, o índice está acima da média nacional, que ficou em 30%. De acordo com Bartolomeu, estabelecimentos com cardápio predominantemente de bebidas alcoólicas, como choperias e cachaçarias, sentiram uma queda de até 90%.
A Lei Federal 11.705/08, chamada Lei Seca, completou, anteontem, um mês desde a data de sua publicação. Na nova legislação, para dirigir, o limite de teor alcoólico permitido é de até 0,1 mg por litro de ar expelido. No período, também observou-se um maior rigor na fiscalização, com operações e blitzes nas rodovias e dentro das cidades.
Para o diretor da Associação Brasileira de Bares, Casas Noturnas e Clubes de Dança (Abrabar), Fabio Aguayo, não houve redução na frequência, mas no consumo - uma queda de cerca de 20%. Segundo Aguayo, aos poucos os clientes e estabelecimentos estão se adaptando à nova legislação. ''Algumas casas noturnas oferecem o serviço de vans, outras um funcionário que leva o carro do cliente e volta de táxi ou moto, até empresas de guincho já nos procuraram para oferecer a opção de levar o veículo do motorista que passou do limite. Entre os clientes, já ouvimos falar da 'corrente do goró', em que um avisa o outro onde estão as blitzes e até uma planilha que supostamente calcula a quantidade de álcool permitida para o perfil de cada pessoa'', conta.
Outra mudança no hábito dos frequentadores é o maior consumo de comidas e de água. ''Para atrair mais clientes, as casas começaram a oferecer mais opções, por exemplo, lugares que antes não tinham música ao vivo, agora têm'', explica Aguayo.
A Abrasel-PR firmou uma parceria com oito associações de táxis de Curitiba, que manterão a tarifa de Bandeira 1 no período noturno - um desconto de 23%- para os clientes de bares, restaurantes e casas noturnas. A campanha ''Se beber, dirija-se a um táxi'' será lançada no início de agosto.
Na opinião de Luciano Bartolomeu, a queda no movimento não significa que a população esteja mais consciente, mas sim com medo da fiscalização. ''Essa lei não veio para educar, mas para punir, principalmente quem tem consumo responsável'', desabafa. Fabio Aguayo acredita que o teste dos efeitos da lei será no final do ano e na temporada de verão. ''Por causa do clima frio, as pessoas têm bebido mais em casa. Mas é no verão que iremos sentir se os novos hábitos, de fato, 'pegaram'''.